segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018



























































 













CANÇÕES SEM FRONTEIRAS

RELEASE

Juntos desde 1.994, Daniele Garcia e Glauber Lyra formaram o Migrassom em 2.004, quando, das ideias cosmopolitas da fusão de ritmos brasileiros com os de outros povos através de suas semelhantes matrizes, junto à doce poesia, apostaram em uma canção sem fronteiras, fazendo sua música falar a linguagem de todas as nações. O nome deu origem a um poema que até hoje guia a forma e abordagem musical dos artistas. O projeto surgiu da intenção de conectar elementos musicais que, apesar de suas variadas origens, têm a mesma linguagem, conectando a música brasileira a ritmos de outros povos e suas contribuições para a formação de nossa cultura.
Sendo também professores de música, se dedicaram ao ensino e estruturação do Espaço Musical Sintonia, escola com sede em São Paulo desde 2003, onde coordenam e ministram aulas de canto e instrumentos.
Após participarem de diversos projetos culturais, o duo Migrassom resolveu partir para a produção independente e gravou seu primeiro CD em dezembro de 2.009, com lançamento em janeiro de 2.010 sob o selo de mesmo nome.      Desde então, têm marcado presença em eventos culturais e programas de TV aberta e internet no Brasil.
Sob a parceria do produtor Mi de Carvalho e da Design Versus (Fábio Avenoso e Virgínia Mussi), o CD teve grande entrada e aceitação no Brasil e em Portugal, onde realizaram shows, campanhas de divulgação e entrevistas em rádios da Argentina, Espanha, Suíça, França, além de shows no Sesc em São Paulo.
A partir de 2017, iniciaram o projeto de gravação do Migrassom Dois, que, com muito êxito, mesma parceria e equipe do primeiro disco, alcançaram dez vezes mais popularidade, realizando seu pré-lançamento na Europa, com shows e vendas de cd´s, acompanhados de uma turnê que passou de norte a sul de Portugal e pela capital espanhola Madrid, conquistando os públicos europeus e turistas franceses e cabo-verdianos. O CD explora ritmos latinos, europeus e instrumentos regionais em diálogo com os elementos formadores da cultura musical brasileira e incluem duas faixas em espanhol – “Confissões” e “Experimental”.
Ao retornarem ao Brasil, pretendem repetir o sucesso e realizar o lançamento do Migrassom Dois no Brasil.


"A dor é cosmopolita, assim como a felicidade". (Migrassom - poesias de minuto)



OS ARTISTAS


Daniele Garcia (Migrassom)
Daniele Garcia (1980), Mestre em Música pela UNESP, cantora, musicista e arte-educadora, compositora e intérprete do Migrassom. Idealizadora e pesquisadora de oficinas de criação de instrumentos musicais com material alternativo, busca uma visão mais orgânica e inclusiva da música, assim como uma visão cosmopolita da arte e indivíduo e da fusão da música brasileira com a de outros povos, assim como suas origens e conexões.


 Glauber Lyra (Migrassom)
Glauber Lyra (1976), músico e arte-educador, compositor e intérprete do Migrassom. Tendo acompanhado e gravado com diversos artistas de diferentes estilos, pesquisa novas sonoridades com instrumentos tradicionais e diferentes formações, além das fusões de ritmos brasileiros com outras culturas. Seu estilo inconfundível garante 
 MIGRASSOM DOIS
Migrassom fez o pré-lançamento de seu novo trabalho - Migrassom Dois, fazendo grande sucesso em Portugal e conquistando o coração dos portugueses. Em seguida, pretendem fazer o lançamento no Brasil.


https://www.deezer.com/br/album/46774342
https://itunes.apple.com/us/artist/migrassom/898787693

Distribuidora: http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=10649


Contato: Migrassom Produções
Nome: Rosa Martins
E-mail: contato@migrassom.com
Telefone: 2671-5417 - 11 99645-3213 
Site: www.migrassom.com 

Migrassom - Experimental na Fnac Coimbra (Portugal)


Migrassom - Mais do que o Espaço na Fnac Coimbra (Portugal)


Migrassom - Tudo Claro na Fnac Coimbra (Portugal)


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018


DERBAKE: MULHER TOCA ISSO, SIM!!!
Especialista desvenda a história de um instrumento musical milenar com um quê super feminino
Resultado de imagem para mulher toca isso sim


Há pelo menos quinze anos, quando, já como professora de música, tive contato com o universo da música árabe em São Paulo, percebi que homens e mulheres dançavam, mas que em uma proporção muito maior os homens preenchiam a função dos músicos.
Finalmente, quando me deparei com um curso de derbake (instrumento de percussão árabe, praticamente sua base rítmica) voltado a um grupo de mulheres, e ministrado pelo querido e talentoso Alex Nasser, resolvi, ao ceder o nosso Espaço Musical, participar também de tal processo. Pouco depois do início das aulas, resolvi adquirir um instrumento, sendo o centro da cidade o local mais indicado para compra em São Paulo. Com muito estranhamento o vendedor se dirigiu a mim quando, ao invés de roupas, narguilés e tabaco, o meu pedido foi "ver os modelos de derbake disponíveis". -É para quem? - indagou. Ao que respondi "para mim", voltou-se em atitude irreverente para um ajudante que empilhava caixas no fundo da loja. Sentei e comecei a tocar... A explorar os timbres da pele, os rítmos básicos...A preencher os ritmos com os rufares de dedos próprios do instrumento, que não é coisa de iniciante... Ficaram calados, até que o dono da loja retirou o instrumento da minha mão e começou a "demonstrar" como se tocava, mais grosseiramente e pegando um de cada vez... tocava por pouquíssimo tempo cada um, e passava para o próximo. "É... são quase iguais, aí você escolhe o que quiser. 
Enquanto escolhia e acompanhava o ajudante a embrulhar um dos instrumentos (que cheirava a chocolate, porque estava guardado em uma prateleira de fumo aromatizado), o dono da loja se dirigiu a mim: - Quem é o seu professor? -Disse o nome dele ( eles conheciam o músico). - Ah, mas esse [...] está inventando moda agora? Onde já se viu?
Onde já se viu? Em toda história da música árabe! Mulher toca isso, sim!!!
A jornalista, tradutora, bailarina e professora de dança árabe Giselli Habibi realizou um levantamento de pesquisas acerca da prática musical com estes tambores milenares e descobriu que eles têm um quê de feminino mais do que se imagina.
O derbake é um instrumento de percussão de pele ( membranofone). Mais especificamente, é um tambor de taça que ao longo da história foi fabricado em argila, alumínio ou madeira com uma pele de cabra ou remendo de peixe. 
O professor Philippe Vigreus, um dos mais renomados especialistas sobre o assunto, afirma que seus primeiros registros datam de 3600 A.C. na região da Mesopotâmia, sendo também parte do folclore de vários países da Europa Oriental, como a Grécia, a Iugoslávia e a Albânia, devido à influência turca e hoje representa para centenas de milhões de árabes o instrumento popular por excelência. Por meio do levantamento de imagens em pinturas, gravuras, esculturas, e posteriormente fotografias, há sim, registros incontestáveis de que as mulheres faziam parte desse rico universo musical, não apenas dançando, mas tocando. Seguem algumas imagens:
albogon e darbuka
Ilustração de meados do século XIII
E afirma Giselle: A mulher, à direita na imagem, tem uma ta'rija no ombro dela. A introdução do derbake na Espanha deveria ter ocorrido durante o período Andalus, estado muçulmano que governava grande parte da Península Ibérica e Septimania de 711 a 1492.
De acordo com o trabalho: "Os tambores de cerâmica de al-Andalus (s. VIII-XIV): uma abordagem da Arqueologia Musical" de Raquel Jiménez Pasalodos e Alexandra Bill: "esta iconografia é muito interessante, não só porque indica que Eles não eram propriedade exclusiva dos muçulmanos, mas também estão nas mãos de uma mulher musicista profissional ". Ainda sobre a Espanha, afirmam que os tambores cerâmicos são os instrumentos musicais mais comuns no  registro arqueológico andaluz. 
final s xix
Há também uma ilustração em tinta e guache intitulado "Mulher com dümbelek" um livro de fantasias da Turquia adquiridos em Constantinopla em 1657 por Claes Rålamb e incluídos na coleção da Biblioteca Real da Suécia em 1886.

Landelle
Este trabalho é feito pelo pintor francês Jean Joseph Benjamin Constant (1845-1902) que visitou Marrocos em 1872. É intitulado: "Intérieur de harem"
Um tambor de mulheres?
Seguindo a trilha da darbuka, encontrei várias imagens de mulheres tocando a darbuka.
Derbakista tunisino.  1890
Derbakista tunisino. 1890
Egípcio
Mulher egípcia com tambor.  1870
Mulher egípcia com tambor. 1870
"Music dwells" da Tunísia.  Início do século XX
"Music dwells" da Tunísia. Início do século XX
Fellahin de Beirute.  1920
Fellahin de Beirute. 1920
Argélia 1884
Argélia 1884
Argélia  Postal no início do século XX.  Idéale Collection
Argélia Postal no início do século XX. Idéale Collection
Tancrède R. Dumas, c.  1870. Museu Sabanci, Turquia.
Tancrède R. Dumas, c. 1870. Museu Sabanci, Turquia.
Argélia 1858.
Argélia 1858.n Imagem de Charles Marville.
Beleza nubiana.  Trabalho do pintor austríaco Franz Xaver Kosler.  (1894).
Beleza nubiana. Trabalho do pintor austríaco Franz Xaver Kosler. (1894).
 De acordo com o professor Frédéric Lagrange, especialista em música egípcia do século XIX e XX na Universidade da Sorbonne, em Paris, ao contrário do que pude perceber das comunidades praticantes em SP, este instrumento era predominantemente feminino,
"O dia após o casamento" Trabalho de Mohamed Racim, fundador da escola em miniatura argelina.  (1896-1975).
"O dia após o casamento" Trabalho de Mohamed Racim, fundador da escola em miniatura argelina. (1896-1975).
Estes eram grupos de artistas que tocavam vários instrumentos musicais, cantavam e dançavam. Esses grupos de mulheres se educaram, perpetuaram as formas antigas e clássicas de poesia, música e cantar árabe.
Almee imagem do fotógrafo francês Felix Bonfils 1870
Imagem do fotógrafo francês Felix Bonfils. 1870
Cairo, 1908
Cairo, 1908
Os awalim não estavam apenas presentes no Egito, mas também em outros países como a Argélia.
danse de les almees alger
O orientalismo fantasiou sobre o awalim (em francês: almées ), e devido às imagens capturadas por pintores como Leopold Carl Müller da Áustria (1834-1892), eles foram confundidos com o ghawazee , artistas de rua.
Leopold Carl Muller.  Admiradores de uma almada
Leopold Carl Muller. Admiradores de uma almada
Ghawazee em um café egípcio.  1890
Ghawazee em um café egípcio. 1890

E o que aconteceu?
De acordo com pesquisas, nas décadas de 1910 e 1920, o derbake ainda era principamente presente na música realizada por mulheres no Egito. No entanto, após esse período, passou a não mais ser um instrumento bastante feminino e folclórico para fazer parte dos conjuntos musicais de diferentes países da região. A justificatica pode ser religiosa, cultural, e até por puro preconceito, como sofri com os vendedores no centro da cidade, mas a história não nega todo o passado milenar feminino do instrumento.
Convido, então, aos leitores e leitoras a conhecerem mais e explorar a beleza do derbake, assistindo ao vídeo abaixo, com o título "Mulher toca isso, sim!!!", e vamos juntos derrubar esse preconceito inexplicável. 
Um grande abraço a todos!
Daniele Garcia é Mestre em Música pela UNESP - SP, produtora e artista do Migrassom 
Assinatura: Daniele Garcia 
11 26715417     - 11996453213   contato@migrassom.com
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